Se pensarmos na música como um instrumento de reflexão ou ainda como ferramenta de auto-conhecimento de pessoas jovens, ou aquelas que mantêm o espírito jovem, poderemos nos assustar com a tamanha superficialidade de suas sensações.
Hoje as canções, a meu ver, conseguem apenas escalar sentimentos e sensações extremamente rasas, fazendo com que toda complexidade humana possa ser resumida em metáforas gastas e assimilações banais – e será nessa hora que me ouvirão dizer “enfático-descontente”:
- ISSO TE EMOCIONA?
A expressão da emoção nas canções, e arte em geral, desde a época dos trovadores foi caracterizada como a dura e interminável batalha entre as sensações e a limitação do léxico humano. Por isso tenho a sensação que “as mais pedidas do dia” foram criadas a partir de uma relação amigável de expressão; amigável no sentido de que essa produção resulta da rendição do sentimento livre ao absolutismo do já dito.
O Ass: Maria, dentre outras bandas, aguarda o momento da revanche, o momento de se agrupar em uma luta armada – de poesia – contra qualquer forma de expressão castradora e contra a catarse não criativa.
- Por favor, peço PROFUNDIDADE DE SENSAÇÕES!!!
(Ouvindo: Nuvens - A redenção de bicicleta.)